Capítulo 2: O Soco, a Queda e o Último Tiro

Capítulo 2: O Soco, a Queda e o Último Tiro

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A História da Marvel – Capítulo 2: O Soco, a Queda e o Último Tiro

No capítulo passado a gente viu o Martin Goodman, aquele dono de pulp de olho no bolo do Superman, fundar a Timely e colocar o Tocha Humana e o Namor nas bancas. Os dois deram dinheiro, mas ainda faltava um personagem que fizesse o público sentir que aquela editora tinha uma causa. E ele veio de dois rapazes chamados Joe Simon e Jack Kirby, filhos de famílias judias, que olhavam para a Europa de 1940 e não aguentavam mais assistir de longe.

Em dezembro de 1940 chegou às bancas Captain America Comics #1. Na capa, o herói de uniforme azul, vermelho e branco acertava um direto no queixo de Adolf Hitler. Repare no detalhe: os Estados Unidos ainda nem estavam na guerra. Ou seja, dois quadrinistas tomaram partido antes do próprio país, e o público respondeu. Segundo as fontes mais citadas, a primeira edição chegou perto de um milhão de cópias vendidas, o que fez da Timely uma das grandes do mercado. Quem diria que aquele estúdio de terceirizados ia virar potência por causa de um soco em papel.

Foi nesse clima que um garoto chamado Stanley Lieber, que tinha entrado na editora como assistente, ganhou espaço. Ele já tinha publicado seu primeiro texto, um conto curto na própria revista do Capitão América, assinado como Stan Lee, nome que pretendia guardar para o grande romance que um dia escreveria. Quando Simon e Kirby deixaram a casa, no fim de 1941, depois de uma briga com Goodman, o comando editorial sobrou para esse rapaz de quase 19 anos. Ironia das boas: o futuro maior rosto da Marvel começou como o quebra-galho que ficou.

Durante a guerra, o mercado de super-heróis viveu uma festa. Tinha herói de todo jeito, e todo mundo lutando contra o Eixo. Mas festa que depende de um inimigo específico tem prazo de validade, e quando o conflito acabou os leitores foram embora. Eles queriam outras coisas: romance, faroeste, terror, humor. A Timely foi se virando, passou a circular como Atlas Comics e deixou os super-heróis num cantinho. Em dezembro de 1953 ainda tentaram trazer o Capitão América de volta, agora vendido como o “caçador de comunistas” da vez, e a ideia não pegou. O herói que tinha nascido para a guerra não sabia o que fazer da paz.

O golpe seguinte veio de fora do mercado. Em 1954, o psiquiatra Fredric Wertham publicou o livro Seduction of the Innocent, acusando os quadrinhos de corromper a juventude. Virou escândalo nacional, Wertham foi a estrela das audiências no Senado americano e a indústria, assustada, criou o Comics Code Authority, um selo de aprovação que na prática funcionava como censura. Violência, terror e qualquer coisa capaz de incomodar um pai preocupado ficaram pelo caminho. Para uma editora já sem fôlego, foi um nocaute.

E ainda ficou pior. Goodman tinha uma distribuidora própria, a Atlas News Company, mas a fechou em 1956 e passou a entregar seus gibis à American News Company, a maior do país. Só que a American News quebrou em 1957, e ele precisou bater na porta da concorrente: a Independent News, ligada à DC, aceitou distribuir suas revistas, mas com um limite de apenas oito títulos por mês. Stan contornou o problema lançando 16 títulos bimestrais, alternando os meses, um jeitinho que dá bem a medida de como a coisa estava apertada. A editora que um dia dominou o mercado vivia de histórias de monstros sem graça.

É aqui que a história vira. Por volta de 1960, Goodman mandou Stan criar uma equipe de super-heróis, depois que a DC fez sucesso com a Liga da Justiça. Desanimado, com cerca de vinte anos de casa, Stan contou que estava pensando em largar tudo, e foi aí que a esposa, Joan, deu o conselho que mudaria tudo: se ele já ia desistir mesmo, por que não escrever pelo menos uma vez do jeito que queria? Ele ouviu. E o resultado, ao lado do velho parceiro Jack Kirby, seria uma família de heróis que brigava, errava e tinha conta para pagar, como a gente.

No próximo capítulo, a gente chega a 1961, na revista que fez a Marvel nascer de verdade e mudou os quadrinhos para sempre: o Quarteto Fantástico.

E você, acha que a Marvel teria sobrevivido se o Stan tivesse mesmo desistido naquela época? Conta aqui embaixo.

Fontes consultadas: Hollywood Reporter, Jewish Currents, Wikipedia (Timely Comics, Atlas Comics e Captain America Comics), Marvel Fandom (Atlas Comics), TwoMorrows, WRAL/CNN e The Popverse.

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